domingo, 8 de Novembro de 2009

POST EM BRANCO [MEU] (APENAS COM TÍTULO [MEU]): SEGUINDO A MINHA LINHA EDITORIAL, GOSTARIA QUE PREENCHESSEM O ESPAÇO EM BRANCO: ESCRITA, IMAGEM, ESCRITA E IMAGEM E ME ENVIASSEM PARA: sofaltaum31naminhavida@gmail.com. A VOSSA COLABORAÇÃO SERÁ PUBLICADA.ESTE POST [SALTITÃO]SERÁ SEMPRE O 1º DO BLOGUE DURANTE ESTA SEMANA.

É POR ISSO QUE EU GOSTO TANTO DESTE SENHOR

O FACTOR VARA

Ultimamente tenho sido industriado num conceito novo sobre a vida que é também uma filosofia de vida: ser "leve". Ser "leve" é o contrário de ser "pesado", é, parece, a capacidade de levar as coisas sempre de uma forma ligeira, de não se preocupar demasiadamente com nada nem dar demasiada importância a coisa alguma. Aconteça o que acontecer, façam o que fizerem, as pessoas "leves" levam tudo na despreocupada: nada deve ser suficientemente grave ou importante para que deixem de rir e de sorrir todo o tempo e em todas as circunstâncias. Trata-se de um conceito moderno e urbano, que a mim me deixa um pouco baralhado, até porque nos últimos anos tenho aprendido a preferir cada vez mais a chuva no campo do que os dias cinzentos na cidade. É verdade que os portugueses sorriem pouco e que sorrir faz bem à saúde e torna as pessoas mais bonitas. Mas lembro-me de a minha mãe dizer que os que vivem eternamente felizes e despreocupados, sempre a rir ou a sorrir, ou são parvos ou são inconscientes. Sim, porque é difícil distinguir onde acabam as virtudes de ser "leve" e começa a estupidez de ser leviano. A fronteira não é clara e há-de ser estreita.
Mas de uma coisa estou certo: só se pode levar as coisas numa "leve" quando se tem condições para tal. Quem vive em quadros de miséria e carência, quem tem da vida urbana uma paisagem de subúrbios desumanizados, quem tem problemas sérios de saúde, quem viu morrer um filho ou alguém muito próximo e amado, quem viu morrer uma após outra todas as ilusões, ou não é "leve" ou anda a Prozac. Poder ser "leve" é um privilégio, não toca a todos.
Mas tenho andado a pensar seriamente no assunto - tentando, claro, pensar de uma forma "leve", para que faça sentido. Muita gente, e leitores meus, acham que eu me indigno vezes de mais com coisas de mais. Não valeria a pena. Há um tipo que escreve sobre mim num blogue e que se irrita sobremaneira com o que ele acha ser a minha indignação permanente e traça de mim um retrato, até físico, que me deixa abalado. Preocupam-me, então, duas coisas: a minha recorrente indignação, tal como ele a descreve, e o facto de a minha indignação acarretar a indignação dele. Vou tentar mudar, a bem dos dois.
Em vez de dizer que as coisas me indignam ou revoltam, vou passar a dizer suavemente que elas me deprimem. Por exemplo: a história de Armando Vara, promovido ao nível máximo de vencimento na Caixa Geral de Depósitos e para efeitos de reforma futura, depois de já estar há dois meses a trabalhar na concorrência do BCP, é uma história que me deprime. Não, não, acreditem que, apesar de isto envolver o dinheiro que pago em impostos, esta história não me revolta nem me indigna, apenas me deprime. E de forma leve. Eu explico.
Toda a 'carreira', se assim lhe podemos chamar, de Armando Vara, é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte. Uma sorte extraordinária. Teve a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma irresistível vocação de militante socialista, que para sempre lhe mudaria o destino traçado de humilde empregado bancário da CGD lá na terra. Teve o mérito de ter dedicado vinte anos da sua vida ao exaltante trabalho político no PS, cimentando um currículo de que, todavia, a nação não conhece, em tantos anos de deputado ou dirigente político, acto, ideia ou obra que fique na memória. Culminou tão profícua carreira com o prestigiado cargo de ministro da Administração Interna - em cuja pasta congeminou a genial ideia de transformar as directorias e as próprias funções do Ministério em Fundações, de direito privado e dinheiros públicos. Um ovo de Colombo que, como seria fácil de prever, conduziria à multiplicação de despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente de bem" do costume. Injustamente, a ideia causou escândalo público, motivou a irritação de Jorge Sampaio e forçou Guterres a dispensar os seus dedicados serviços. E assim acabou - "voluntariamente", como diz o próprio - a sua fase de dedicação à causa pública. Emergiu, vinte anos depois, no seu guardado lugar de funcionário da CGD, mas agora promovido por antiguidade ao lugar de director, com a misteriosa pasta da "segurança". E assim se manteve um par de anos, até aparecer também subitamente licenciado em Relações Qualquer Coisa por uma também súbita Universidade, entretanto fechada por ostensiva fraude académica. Poucos dias após a obtenção do "canudo", o agora dr. Armado Vara viu-se promovido - por mérito, certamente, e por nomeação política, inevitavelmente - ao lugar de administrador da CGD: assim nasceu um banqueiro. Mas a sua sorte não acabou aí: ainda não tinha aquecido o lugar no banco público, e rebentava a barraca do BCP, proporcionando ao Governo socialista a extraordinária oportunidade de domesticar o maior banco privado do país, sem sequer ter de o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus escolhidos para a administração, em lugar dos desacreditados administradores de "sucesso". A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente da CGD, que para lá levou dois homens de confiança sua, entre os quais o sortudo dr. Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria, Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim a meteórica ascensão do dr. Vara na banca nacional acabou por ser assumida com um sorriso e um tom "leve".
Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo. Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar. Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!
Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido. Este país não é para todos.
P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo que o sr. (ou dr.) Armando Vara tem a correr contra mim uma acção cível em que me pede 250.000 euros de indemnização por "ofensas ao seu bom nome". Porque, algures, eu disse o seguinte: "Quando entra em cena Armando Vara, fico logo desconfiado por princípio, porque há muitas coisas no passado político dele de que sou altamente crítico". Aparentemente, o queixoso pensa que por "passado político" eu quis insinuar outras coisas, que a sua consciência ou o seu invocado "bom nome" lhe sugerem. Eu sei que o Código Civil diz que todos têm direito ao bom nome e que o bom nome se presume. Mas eu cá continuo a acreditar noutros valores: o bom nome, para mim, não se presume, não se apregoa, não se compra, nem se fabrica em série - ou se tem ou não se tem. O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo depois disso, não estou cativo do "bom nome" do sr. Armando Vara. Era o que faltava!
.
Miguel Sousa Tavares in "Expresso" 19.01.2009

sábado, 7 de Novembro de 2009

PUB.LI.CIDADE

Declaro oficialmente aberto o Natal. Wege!Wege!
Este é o primeiro anúncio da Popota que, simplesmente, a-d-o-r-o.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

SÓ PORQUE ME APETECE (3)

África


Nick Brandt

Aqui é onde a terra se despe e o tempo se deita.
Mia Couto

SEJAM A GI POR UM POST...

Não há como fechar os olhos e não ter visto o post que lá em cima espreita. N-Ã-O H-Á C-O-M-O!!!
E então o que fazem Vocelências? De olhos abertos, ignoram-no! Querem lá saber! Estão nem aí!
Não me venham dizer que é falta de tempo patati-patatá-rebéubéubéupardaisaoninho.
O tempo que demoram a clicar para virem cá ver o que a desmiolada da Gi escreveu, rirem-se um pouco e, quiçá ... e metam quiçá nisto, talvez comentar, já tinham tido tempo de fazer um post como se a Gi fossem e enviado para: sofaltaum31naminhavida@gmail.com.
Armando a vara e com ela em riste meço a fasquia e coloco-a alta. Na minha vida virtual, tal e qual como na real, em tudo me meço altaneira. O meu blogue é mesmo o espelho de mim. Quem me conhece no real, bem antes de me ter por aqui conhecido diz-me: o teu blogue és mesmo tu.
Quem me conheceu primeiro por aqui e, posteriormente, no lado real da vida diz-me: tu és mesmo o teu blogue.
Quem me conhece só por aqui ou de me ver no seu blogue e me considera amiga virtual, quem eu considero amigo virtual (sim, porque alguns são apenas conhecidos virtuais) sabe que se me pedem qualquer coisa, se me pedem uma colaboração, eu acedo sempre, tenha tempo ou não, tenha o tema a ver comigo ou não, escreva eu diferente do  blogger em questão ou não. Participo porque sei que farei essa pessoa feliz.
É isto ser amigo. É estar lá, principalmente, quando tal lhe é solicitado.
E não me venham com a balela de falta de tempo; tantas vezes tirei do meu tempo que me faz falta para dar aos outros.
Desafio-vos a aGIr como se fossem a Gi; aposto que já vos passou pelas mãos, pelos olhos e pelo estreito imagens, pensamentos, frases que vos fizeram sorrir e pensar: isto ficava lá mesmo bem no blogue da Gi, isto é a Gi escarrada, a Gi isto a Gi aquilo.

Só mais uma coisinha que para mim faz tanta diferença:

Se poderia passar sem uma colaboração vossa em que seriam a Gi por um post, é claro que poderia, mas não seria ... não será a mesma coisa.
Tenho dito!

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

HAVIA...

...um godo de apelido Godinho. Era um homem de visão. Era um visigodo Godinho.
O Godinho dedicou-se à manufacturação de godés e resolveu dar sociedade ao irmão, de apelido Godinho.
Tratou de registar a firma como Godinho e Irmão, Ldª. mas já havia uma. By God! Disse ele [Não se esqueçam que ele era um godo, descendente desse ancestral povo germânico, e não um godo, calhau].
Lembrou-se de registar a companhia como Godinho & Godinho, Ldª. Mas outro se tinha lembrado de coisa igual. Goddamn! [Não se esqueçam que ele era um godo, descendente desse ancestral povo germânico, e não um godo, calhau].
Já vos tinha dito que o Godinho era um godo de visão. Um v-i-s-i-g-o-d-o.
E com tintas de várias cores que tinha nos godés registou a cheio, God Bless him [eu também falo inglês], a sua firma com o nome de Bigodinho, Ldª.

PENSAMENTOS SOBRE AMNÉSIA AO PEQUENO-ALMOÇO

A primeira amnésia nunca se esquece.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

EU HOJE SENTO-ME ASSIM...


À espera. À procura que a minha alma se atormente. Como a dos escritores que leio.

VAIS DE METRO, SATANÁS, NÃO VAIS?


Desde que afixaram esta imagem por tudo o que é sítio, ou seja, desde 2ª feira ( ou se calhar Domingo, altura em que graças a Deus e a todos os Santos não ando de metro e não vejo Satanás), que o metropolitano de Lisboa tem feito questão de mostrar que, com 50 anos, se anda trôpego, coxo, já que, ainda 4ª feira se perfila, e já conto como voltas no meu estômago imensos atrasos e avarias .... para (não) variar.
Para além disso, o prolongamento da Linha Vermelha até S. Sebastião, deixa-me atrofiada, irritada e com um grande mau feitio ( confesso que é preciso pouco para o despoletar).
Prolongaram a linha do metro: Fantástico.
Aumentaram o número de carruagens por composição: Fantástico.
O número de composições em funcionamento mantém-se o mesmo: Irritante.
O tempo de espera pela composição aumentou: Frustante!
Resumindo e concluindo: Demoro agora muito mais tempo a chegar aos meus destinos, com muito mais gente, muito mais atropelos, muito mais confusão, muito mais vernáculo despendido por centímetro quadrado.
As passadeiras/escadas rolantes umas vezes estão on outras vezes estão off.
A hora de almoço não é considerada hora de ponta e, se temos apenas uma hora para almoço e trabalhamos em Chelas, é melhor ficarmos onde estamos.
Na semana passada demorei mais tempo a fazer o trajecto a esta hora do que demoro a fazê-lo ao fim do dia. E-S-P-E-C-T-A-C-U-L-A-R!!!!
Voltando ao dia de hoje:
Um metro avariado, de portas abertas e luzes acesas e um maquinista sem gramofone aos berros: Não entrem, não entrem, que este metro está avariado!
Duas composições de metro estacionadas ao fundo do túnel descansando os seus longos e doridos corpos cansados de 50 anos a transportar Lisboa, Cascais, Cacilhas e, claro:Satanás.
Foi preciso vir uma outra composição em contramão e cheia, para a confusão ser ainda mais interessante: a gare cheia de pessoas a quererem entrar, a gare cheia de pessoas a quererem sair.
Instalados, finalmente, no metro, como nos comboios de Auschwitz só que em photoshop, ficamos à espera que viessem ainda mais pessoas a correr e que vendo este metro cheio e o outro vazio, de portas abertas e luz acesa resolveram, os espertos, precipitarem-se para lá e, novamente, para cá quando o outro maquinista já rouco, a precisar de um stresstabs e de uma aspirina efervescente, entoava o refrão: Não entrem, não entrem, que este metro está avariado!

Finalmente toca a campainha de fechar as portas da nossa composição e lá sai ela desvairada com uma voz interior (Satanás sabe ser mavioso quando quer) dizendo: Por favor facilitem as entradas e as saídas!
E a nós, utentes, facilitem-nos a vida, porra!




terça-feira, 3 de Novembro de 2009

PESSOAL E INTRANSMISSÍVEL


Chamaram aquela pessoa: Fernando. Fernando Pessoa.
Que estupidez, pensou ele. Pessoa, mas não é óbvio que sou Pessoa ... aliás como todos os outros, não?
Invejava o Pereira, o Carneiro, em pessoa, porque tinham a coragem de ter outros apelidos.
Até parece que era um verme para ter de dizer, sublinhar, substantivar, adjectivar e acrescentar: Pessoa.
Um dia fartou-se; como era escritor resolveu recriar-se, pluralizar-se ... recrear-se.
O meu nome é Fernando. Fernando Pessoas.
E assim morreu.
Actualmente é objecto de estudo. Até o prolongaram em  mais apelidos: Fernando Pessoa Heterónimo, Fernando Pessoa Ortónimo.
Aquela Pessoa de nome Fernando não gostaria de ter sido prolongada apenas que o tivessem deixado descansar em paz e, claro, de ter sido registado como Fernando Pessoas.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

SALTO À VARA



Com 11 varas, numa vara judicial, o que é certo é que ele lá vai armando a vara ... saltando aqui, saltando ali.
Muitos saltos ainda dará...

Cartão de Visita de Paquete de Oliveira, São Tomé e Príncipe, Carolina do Norte/Carolina do Sul, Cabo Verde , Bora Bora, Cuba, Burkina Faso, Cartão de Visita de Clara Pinto Correia, Quarteto de cordas, Juntas Médicas, Cartão de Visita de Kofi Annan, Keywords/Palavras-Chave(s), Estilo, O Gato das Botas, Ilhas de Reunião , Parónimas, Gato PersaBic(la) do Sapato, Banco de esperma, Marylin, Homófonas, Filho Varão, Pastor Alemão, , Príncipe de Gales, Cartão de visita de Ali Alatas, Pedaço de mau caminho, Bacalhau com todos, Cartão de Cidadão, Limpar a imagem, Torcicolo, Macedónia, Coração de pedra, Porco preto, A mulher com o maior físico do mundo, Pêssego Careca, Cabeça-de-lista, Screensaver, Mamaracho

domingo, 1 de Novembro de 2009

É POR ISSO QUE EU GOSTO TANTO DE LER ESTE SENHOR E NÃO TANTO DE LER O OUTRO SENHOR...

ABRAÃO E ISAAC
Deus mandou Abraão imolar seu único filho, Isaac, e oferecê-lo em holocausto a Ele sobre uma das montanhas de Moriá.  E tomou Abraão a lenha do holocausto e um cutelo e levou seu filho ao lugar que Deus lhe dissera.  E edificou Abraão ali um altar e amarrou Isaac e deitou-o em cima da lenha.  E estendeu Abraão a sua mão com o cutelo para imolar o seu único filho.  Mas um anjo do Senhor lhe bradou desde os céus: "Abraão, Abraão, não estendas a tua mão sobre Isaac e não lhe faças mal.  Agora sei que temes a Deus, pois não lhe negaste teu único filho em holocausto".  E Abraão levantou os olhos e viu um cordeiro que Deus provera para oferecer em holocausto em lugar do seu filho, e assim fez.  E o anjo do Senhor bradou que a semente de Abraão se multiplicaria como as estrelas do céu, e subiria à porta dos seus inimigos, e abençoaria todas as nações da Terra, porque Abraão obedecera à voz de Deus.

Muitos anos depois:
- Eu ainda sonho com aquele dia e acordo tremendo.
- Você era um menino...
- Vejo o cutelo na sua mão, vejo o seu rosto contorcido pela dor, vejo os seus olhos cheios de água...
- Você era um menino...
- Lembro de tudo.  Lembro dos trovões.
- Era a voz do anjo me falando dos céus.
- Não ouvi a voz do anjo.  Ouvi os trovões.  Só você ouviu a voz do anjo.
- Meu filho...
- Eu sei.  Faz muito tempo.  É melhor esquecer.  Mas não consigo esquecer.  Sonho com aquele dia todas as noites e acordo tremendo.
- Você era um menino...

- Me lembro das nuvens escuras.  De uma revoada de pássaros negros.  Pássaros atónitos, chocando-se no ar.  O céu parecendo recuar com o horror da cena: um pai imolando um filho!
- Um sacrifício.  Um ritual necessário de sangue.  A cerimónia inaugural da nossa tribo, com os favores do céu.
- Um horror.
- Uma história muito maior do que a nossa.  Muito maior do que a de um filho imolado.  Hoje sou o pai de nações, o patriarca do mundo, porque obedeci ao Senhor e minha semente foi abençoada.
- Você ficou com o poder, eu fiquei com os pesadelos.
- Nossa tribo foi abençoada.  Da minha semente nasceu a nossa glória.
- Você ficou com a glória, eu fiquei com as marcas das cordas.

- Você viu o meu rosto contorcido de dor, filho.  Viu os meus olhos cheios de água.  Viu que eu estava sofrendo por ter que matá-lo.
-O fio do cutelo encostou na minha garganta.
- Mas eu não o matei!
- Porque Deus não deixou.  Porque Deus mudou de ideia.
- Meu filho...
- Eu sei. Faz muito tempo.  É melhor esquecer.  Vou conseguir sobreviver às minhas memórias e aos meus pesadelos.  Como vocês sobreviveu ao que sabe.
- O que é que eu sei?
- Que deve tudo o que tem, seu poder e sua glória, a um Deus volúvel.  A um Deus incerto do que faz.  A um Deus que volta atrás.  A um Deus inconfiável.
- Ele estava me testando.
- Então é pior.  Um Deus frívolo e cruel.
- Você era apenas um menino...

- Me lembro das nuvens escuras e dos pássaros atónitos.  E do céu recuando diante daquela abominação: um pai matando um filho.  E me lembro dos trovões.
- Era o anjo do Senhor falando comigo.
- Eram trovões.
- Obedeci à voz dos céus porque temo a Deus.
- Mais razão para temê-lo tenho eu, pai, que senti o fio do cutelo na garganta.
- Na origem de todos os povos há uma cerimónia de sangue.
- Então na origem de todos os povos há uma abominação.
- Esta conversa se repete, filho.  Por quanto tempo ainda a teremos?
- Por todos os tempos, pai.
Luis Fernando Veríssimo
in"Expresso" de 03.10.2009


SABATINA DE NOVEMBRO

Que todos os Santos lhe/nos valham!
É mesmo um pão, por Deus!

sábado, 31 de Outubro de 2009

... E PORQUE HOJE É A NOITE DAS BRUXAS... NÃO SE ESQUEÇAM...


PUB.LI.CIDADE



A Vodafone Neozelandeza fez esta sinfonia em que 1000 telemóveis sincronizam 53 diferentes "ringtones" de mensagem de 2000 mensagens enviadas para reconstruir a 1812 Overture de Tchaikovsky.
Eu fiquei impressionada e vocês?

Aqui fica o making of:



PODES QUEBRAR A CORRENTE


Mas não  quebres a abóbora, está bem?

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

ISTO É UM LOGO DE JEITO?


Até logo!

LÍRICO CAMONIANO

Posso não ser o Sartorialist, à escala internacional, ou O Alfaiate Lisboeta, à escala nacional.
Posso não ter muita lata [☺].
Posso (ainda) não ter à mão a minha máquina XPTO.
Posso (porém) ter na mão a minha máquina OTPX.
Pude (no instante ... porque ele existe) tirar esta foto com bastante pinta.


Cliquem nela para verem os detalhes.

PENSAMENTOS POUCO CATÓLICOS AO CHEGAR AO OFFICE...

... diariamente e ao cruzar-me com um autocarro da Carris que ostenta a placa: SANTOS via Sta. Apolónia.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

CRÓNICA DO TEMPO QUE MATA


Nasceu de tempo incerto quando uma rajada de metralhadora esventrou o corpo de sua mãe.
Cuspido num estertor  ali ficou soltando vagidos para a terra ocre que o olhava desolada.
Uma gata que tinha perdido as suas crias encontrou-o. Pegou-o pelo cachaço. Levou-o.
Assim cresceu entre vagidos e miados naquela terra já de ninguém, devastada por anos e anos de guerra.
Nasceu e a guerra morreu ali; tinha sido o último ser humano a ver a luz do dia por aquelas bandas. Precoce no tempo. Mas fora dele. Enquanto todos os outros pereciam.
Confundiu-se com a paisagem. Cresceu esquelético, cadavérico de face, vestindo andrajos espalhados pelos ramos desgrenhados das árvores (que morreram de pé) e pelos jazentes pedregulhos na terra.
Alimentava-se de carne putrefacta e raízes secas e defumadas.
Quando uma equipa da AMI o encontrou naquele holocáustico cenário realizou que a morte no final tinha corpo. Tinha alma.
Alto, longilíneo, de grandes olhos cavos e dentes amarelos, braços abertos, compridos, em riste, dedos em forquilha, dirigia-se decididamente para eles.
Longos cãs emolduravam o rosto. De fiapos negros vestido, assemelhava-se a um abutre.
Atirou-se aos membros da equipa com olhar guloso.  Foi este olhar que os salvou a todos. O olhar de espanto com a paixão sentida que aqueceu todo o seu ser, anteriormente, gelado. Estacou.
Os antropologistas determinaram que não teria mais de 18 anos e era o único sobrevivente da guerra que tinha assolado aquela região perdida para o Mundo.
Chamaram-lhe Kalashnikov e traçaram-lhe uma história.
Escrito numa paragem de autocarro em 15.06.2009 ... enquanto matava o tempo.

E(stúpida) D(uma) P(iiiiiiiiii)



A EDP não deve ter pago a portagem a alguma cegonha cá da minha zona.
Só assim se compreende que das 9H00 até agora (11h00) só tenhamos  conseguido ter 30 minutos de electricidade.

E as histórias de  front e backoffice que vos poderia contar quando a luz falta cá no bairro das amendoeiras em flor. Ui! Ui!

PROVÉRGIO

A humidade faz (a) força.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

GIAGNÓSTICO POSTCROCE



Acuidade visual - 100% - Vejo e leio na perfeição.
Acuidade auditiva - 100% - Ouço na perfeição.
Acuidade oral - Em desconstrução.

Não é pêra doce!

NÃO HÁ MULHER FEIA, SÓ HÁ MULHER POBRE - EBOYLUÇÃO


terça-feira, 27 de Outubro de 2009

SEM COMENTÁRIOS [MEUS] # 3

Zoológico de Gaza usa burros pintados para substituir zebras mortas

O modesto zoológico Marah Land, em Gaza, tinha duas zebras que morreram de fome durante o bloqueio israelita, e não há dinheiro para as substituir.

Para não defraudar as crianças que visitam o zoo diariamente, os tratadores resolveram pintar dois burros brancos com listas pretas.

Trata-se de duas fêmeas que foram pintadas usando fita crepe e tintura de cabelo, aplicada com pincel.

 Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

AMOR É...



Provocarem um ao outro muito alta tensão.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

CAL & NADAS {18}


A vida tem destas agradáveis surpresa.
Para além de visitantes devidamente identificados, seja por possuirem blogues, seja por nos comentarem, existe uma grande massa anónima que nos visita, que não tem blogues, que não comenta e que nós, bloggers, não sabemos quem são.
Fiquei extremamente feliz quando, um dia destes, recebi  um email que dizia o seguinte: " Boa tarde:
Estive este fim de semana em Castelo Branco onde tirei a seguinte foto que lhe pode interessar.
Continue com o 31 que lhe falta!
Realmente de há uns tempos para cá que a sigo (fui lá parar via um dos vizinhos do blogobairro como vocês lhe chamam) e costumo lê-la logo de manhã. Seduziu-me o seu ar de Mafaldinha... É que eu também tenho o "nariz arrebitado" e se não exorcizo as minhas mágoas de algum modo, ando o dia todo a "bater mal" com a pressão que acumulo.
Não comentei até agora porque não senti necessidade, mas qualquer dia ... (esse qualquer dia já aconteceu)
Um abraço
AN (o nome estava por extenso)

É tão bom ter quem nos conserte o ego com concertos destes, não é?

{1}, {2}, {3}, {4}, {5}, {6}, {7}, {8}, {9}, {10}, {11}, {12}, {13}, {14}, {15}, {16}, {17}

O ASPECTO É TUDO (6)

PINGARELHOS E PENDURICALHOS

... Pregadeiras, alfinetes, colares, medalhões, braceletes, pulseiras de tornozelo, escravas, brincos, alianças de casamento, anéis de noivado, alianças de namoro, correntes, pulseiras, anéis para todos os dedos das mãos, anéis para os dedos dos pés, relógios de pulso, gravatas, laços, papillons, headphones, earphones, piercings no lábio, nariz, genitais, sobrolho, umbigo ...

(1), (2), (3), (4), (5)


domingo, 25 de Outubro de 2009

ROMANTISMO É...



Ela

- Estamos casados há mais de 20 anos e nem uma jóia me compraste.
Ele
- Sabia lá que vendias dessas merdas...

sábado, 24 de Outubro de 2009

PUB.LI.CIDADE

Este é um catálogo holandês de venda pela Internet.
Depois de carregares no link acima, não faças mais nada, aguarda e vê o que acontece.


Fantástico e criativo, não?!!!

POSTÍCULO

Alguns sítios mantém-se desconhecidos porque ninguém se aventurou.
Outros mantêm-se desconhecidos porque ninguém de lá voltou.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

E PARA VOS PROVAR QUE A BÍBLIA É UM MANUAL DE BONS COSTUMES ... DEIXO-VOS COM OS 10 MANDAMENTOS


ALA QUE JÁ SE FAZ TARDE


Nunca hei-de esquecer um senhor já de muita idade que traziam do Alentejo de ambulância para fazer radioterapia: muito magro
(pela doença)
era um camponês mas, como ia ao hospital ao médico, trazia o melhor fato
(que era sempre o mesmo)
(que aquilo era todos os dias)
e o fato dele estava cheio de manchas; tinha o colarinho abotoado, não tinha gravata e quando o chamavam ele avançava como um príncipe, percebe?
E naquele colarinho abotoado havia a gravata mais bonita que eu já vi na vida.

E ... ao minuto 29 eu não morri aborrecidinha.

E a Judite de Sousa teve muita dificuldade em dizer (e em ler): "Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?"

CHOQUES COM TINTA

Há vacas que não fazem um boi!

PENSAMENTOS NO FEMININO AO PEQUENO-ALMOÇO

Finally a handful of jobs for the girls.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

FUI ALI COMPRAR A MINHA BÍBILIA


Lá tenho que ir fazer um novo testamento.

HAVIA UMA VEZ...


  Javier Echaiz

Uma cabecinha de fósforo que um dia teve um pensamento fosforecente.
Esfumou-se, rapidamente, o pensamento.
Foi um pensamento amorfo o aceso pensamento daquela cabecinha de fósforo.
Raspou-se o pensamento daquela cabecinha de fósoforo.
E o fósforo lixou-se ... perdeu a cabecinha!

CROSS MY HEART AND HOPE TO DIE

Hoje António Lobo Antunes irá à Grande Entrevista, de Judite de Sousa.
E eu morra aqui aborrecidinha em como as declarações de Saramago virão à baila.


PENSAMENTOS TERGIVERSANTES E TRANSVERSAIS AO PEQUENO-ALMOÇO

José Saramago não conversa, controversa.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

BANIFESTA

Hoje de manhã, quando vinha para o emprego, dei de caras com um MUPI fazendo publicidade ao novo Cartão de Débito e de Crédito do BANIF; nem mais nem menos que o cartão Hello Kitty.
Estaquei,  completamente parva, com o que via!
Eu, adoradora de gatos no geral , e abominando esta em particular, mais irritada fiquei com o brilho que emanava  da Hello Kitty do MUPI.
Dei graças aos céus porque o dia estava cinzento ... porque os  brilhantes da dita gata são capazes de provocar acidentes de viação, caso bata no Mupi o sol.

Cartões Hello Kitty?

BAN IF POSSIBLE!



Updeite: Eis o MUPI de que vos falava, aqui em versão imprensa.